Quarta-feira, 7 de outubro de 2026

“Amarelinha pirata” aquece mercado bilionário de camisas falsas no Brasil

A camisa falsa da seleção brasileira de futebol virou a parte mais visível de um mercado que não se limita ao torcedor que procura uma versão mais barata para assistir à Copa do Mundo. Por trás da “ré...

Por Reprodução24/06/2026 às 12:003 min de leitura
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“Amarelinha pirata” aquece mercado bilionário de camisas falsas no Brasil
Imagem: Reprodução

A camisa falsa da seleção brasileira de futebol virou a parte mais visível de um mercado que não se limita ao torcedor que procura uma versão mais barata para assistir à Copa do Mundo. Por trás da “réplica” vendida em lojas populares e na internet, há uma cadeia de falsificação que passa por cargas importadas, comércio digital, perda de arrecadação e concorrência direta com empresas que atuam dentro da lei. A Receita Federal diz que ainda não há um balanço nacional sobre apreensões ligadas especificamente à Copa do Mundo ou à seleção brasileira de futebol.

Mesmo assim, uma amostragem feita pelo órgão até maio reúne mais de 965,5 mil camisas com possível violação de direitos de propriedade intelectual. O recorte inclui operações no Porto de Santos, no Rio de Janeiro, em Boa Vista e em São Paulo. Somente essa amostragem tem valor de mercado estimado em cerca de R$ 50 milhões, de acordo com a Receita.

O impacto em tributos que deixariam de ser pagos chega a R$ 39 milhões. O órgão informa que as apreensões fazem parte da rotina de fiscalização, mas reconhece que produtos falsificados ligados a grandes eventos ou itens “da moda” costumam aparecer com mais força. No caso das camisas apreendidas pela Receita, a origem é majoritariamente externa.

O órgão explica que sua atuação ocorre sobre casos de contrabando e descaminho de mercadorias vindas de fora do país. Não há, porém, dados precisos sobre os países de origem mais frequentes. A forma de entrada varia.

Em algumas operações, as peças aparecem ocultas entre outros produtos. Em outras, os responsáveis sequer tentam escondê-las. Estudo mais recente da Associação pela Indústria e Comércio Esportivo (Ápice) ajuda a dimensionar o tamanho do problema fora dos depósitos da Receita.

Em 2025, o Brasil consumiu 225,1 milhões de produtos esportivos não originais, alta de 29,8% sobre 2023. A pirataria já representa 34% do mercado esportivo brasileiro. O prejuízo potencial ao setor formal foi estimado em R$ 31,8 bilhões, com R$ 7,4 bilhões em impostos não recolhidos.

No recorte de camisas de futebol, foram 18,1 milhões de peças falsificadas consumidas no ano passado. O número representa 30% do mercado de camisas de futebol e um prejuízo potencial de R$ 3,6 bilhões. A pesquisa não separa entre camisas da seleção brasileira, clubes nacionais, times estrangeiros ou outras seleções.

O recorte considera qualquer peça ligada ao futebol, de jogo, treino ou passeio. Diretor-executivo da Ápice, Renato Jardim diz que a Copa amplia a procura por camisas de seleções, mas afirma que ainda não há uma estimativa fechada sobre o tamanho desse avanço em 2026. O movimento, explica ele, não significa apenas crescimento direto do mercado.

Há também um efeito de substituição, já que o torcedor tende a comprar mais camisas de seleções no período do Mundial, enquanto o consumo de camisas de clubes pode perder força temporariamente.

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