Segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Acervo de fósseis revela que parte do Paraná foi mar há 400 milhões de anos

Vestígios de um antigo mar que cobria parte do território paranaense há cerca de 400 milhões de anos estão entre as descobertas reunidas no novo acervo de fósseis da Universidade Estadual de Ponta Gro...

Por Reprodução17/03/2026 às 18:002 min de leitura
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Acervo de fósseis revela que parte do Paraná foi mar há 400 milhões de anos
Imagem: Reprodução

Vestígios de um antigo mar que cobria parte do território paranaense há cerca de 400 milhões de anos estão entre as descobertas reunidas no novo acervo de fósseis da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). As amostras foram coletadas durante um trabalho de salvamento paleontológico realizado ao longo das obras de uma linha de transmissão de energia que atravessa regiões dos Campos Gerais e do Norte Pioneiro. Receba as principais notícias do Paraná pelo WhatsApp Cerca de 2,6 mil amostras foram resgatadas durante nove meses de acompanhamento das escavações.

O material reúne fósseis formados entre aproximadamente 400 milhões e 280 milhões de anos atrás, período em que a área que hoje corresponde ao interior do Paraná passou por profundas transformações ambientais. Segundo o paleontólogo Henrique Zimmermann, responsável pela coordenação do salvamento, os fósseis ajudam a confirmar interpretações científicas sobre o passado geológico da região. Os registros mais antigos indicam um ambiente predominantemente marinho, habitado por organismos que viviam no fundo do mar.

“Os fósseis mais antigos dessa fase são animais marinhos de vários tipos. Já os fósseis mais recentes mostram seres que tinham mais afinidade com água doce, o que indica que o ambiente foi gradativamente mudando de marinho para água salobra”, explica. Entre os organismos encontrados estão principalmente invertebrados marinhos, como animais com concha, além de restos de peixes e vestígios de vegetais.

Muitos pertencem a grupos que já desapareceram ao longo da história da Terra. Para o pesquisador, o conjunto encontrado permite reconstruir um retrato de um ecossistema que existiu milhões de anos antes da presença humana no planeta. “Esse conjunto todo é um retrato de um ecossistema muito interessante que se perdeu no passado”, afirma.

Outro aspecto considerado relevante pelos pesquisadores é o fato de o trabalho ter revelado novos pontos fossilíferos ainda pouco conhecidos pela ciência. As escavações ocorreram ao longo de uma extensa faixa que inclui municípios como Ponta Grossa, Tibagi, Ventania, Ibaiti e Ribeirão do Pinhal. Segundo Zimmermann, a grande quantidade de fósseis encontrada ao longo do trajeto confirma a riqueza paleontológica da região.

“Em praticamente todas as torres que foram escavadas pela obra nós encontramos fósseis. Eles são extremamente comuns na região”, diz.

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