A região que combina exploração de lítio, produção de cachaça e é polo da fruticultura nacional
A região norte do estado de Minas Gerais produz 1,6 milhão de toneladas de alimentos por ano no maior perímetro irrigado em área contínua da América Latina. A Jaíba, localizada entre os rios São Franc...

A região norte do estado de Minas Gerais produz 1,6 milhão de toneladas de alimentos por ano no maior perímetro irrigado em área contínua da América Latina. A Jaíba, localizada entre os rios São Francisco e Verde Grande, lidera a produção nacional de banana-prata, exporta manga e limão para 36 países da Europa e da Ásia e gera 45 mil empregos diretos e indiretos. O fenômeno é mais amplo que a fruticultura consolidada: a região começou a plantar cacau em pleno semiárido — 580 hectares irrigados que desafiam o clima seco — enquanto Salinas produz 5 milhões de litros de cachaça por ano, com garrafas premium que chegam a R$ 1 mil.
Mesmo com essa explosão produtiva, investidores de fora ainda desconhecem os incentivos fiscais. A exploração de lítio trouxe holofotes recentemente, mas são a fruticultura irrigada e a cachaça artesanal que consolidam o potencial econômico da região há décadas. "Investidores chegam aqui interessados em lítio e acabam descobrindo um mercado muito maior", resume Reginaldo Ferreira, ex-diretor da Invest Minas — órgão vinculado ao governo mineiro — que atraiu investimento de R$ 300 milhões de empresários de Santa Catarina que forram atrás de ouro e ficaram pelo agro.
O paradoxo é impressionante: uma região semiárida que, com tecnologia de irrigação, virou o principal polo de fruticultura do Brasil — e agora mira cacau e cachaça premium no mercado internacional. Localizado entre os rios São Francisco e Verde Grande, a Jaíba é o maior perímetro irrigado em área contínua da América Latina. A região produz mais de 1,6 milhão de toneladas de alimentos por ano.
O polo contribuiu para a "marca" do norte de Minas como o principal polo da fruticultura brasileira e, atualmente, a maior produtora de banana-prata do país. Segundo informações da Associação Central dos Fruticultores do Norte de Minas (Abanorte), a cadeia gera mais de 45 mil empregos diretos e indiretos. Além da banana, a produção inclui manga, limão, uva, goiaba, melão e cana-de-açúcar.
A associação promove, anualmente, uma feira especializada para o setor, a Fruit Connections, que recebeu, na edição de 2026, representantes de 19 estados e quatro países. Os olhos do mercado se voltam para o desenvolvimento de uma nova espécie na região: o cacau. Com forte demanda interna e externa, Minas tem apenas 580 hectares plantados e, segundo informações da Secretaria de Agricultura e Pecuária do estado, as condições climáticas do norte mineiro — com altas temperaturas, pouca umidade e tecnologia de irrigação muito desenvolvida — contribuem para favorecer o aumento da produção.
O município de Jaíba é campeão em produção, com uma área plantada de 256 hectares, o que corresponde a 53,3% do estado. Em seguida, estão as localidades de Janaúba (120 hectares), Bandeira (64 hectares) e Matias Cardoso (25 hectares), todos a região norte do estado. Minas ocupa o 10º lugar no ranking de maiores produtores do país, que é liderado pelos estados de Pará e Bahia.
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