A fruta asiática que se adaptou ao Brasil e que ajuda a combater o envelhecimento
Famoso nas regiões Norte e Nordeste do Brasil pela beleza de sua florada e pelo sabor adocicado, o jambo — fruta de origem asiática adaptada ao clima brasileiro — atrai a atenção da ciência nacional p...

Famoso nas regiões Norte e Nordeste do Brasil pela beleza de sua florada e pelo sabor adocicado, o jambo — fruta de origem asiática adaptada ao clima brasileiro — atrai a atenção da ciência nacional pelas propriedades medicinais e nutricionais. O jambeiro (Syzygium malaccense) pertence à mesma família botânica da goiaba e da jabuticaba. De acordo com pesquisadores, o seu fruto guarda um poderoso arsenal de vitaminas.
São fibras e antioxidantes com potencial de combater os radicais livres e frear o envelhecimento precoce das células. Além do uso tradicional no paisagismo urbano e na culinária, pesquisas recentes de universidades brasileiras associam os extratos do vegetal ao controle do diabetes, à proteção do sistema nervoso e à prevenção de marcadores do Alzheimer. "O jambo é rico em vitaminas A, C e complexo B, além de minerais como ferro, cálcio e fósforo.
Suas propriedades incluem ação antioxidante, antidiabética, adstringente e diurética. A casca e a polpa ajudam a proteger os vasos sanguíneos, combater radicais livres e auxiliar na digestão", explica o biólogo Valdely Kinupp, especialista em Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs). De acordo com o Instituto Brasileiro de Florestas (IBF), o jambeiro é uma planta exótica, originária do continente asiático, especificamente da Índia e da Malásia.
Seu cultivo é comum em estados como Acre, Amazonas, Pará, Maranhão, Pernambuco, Bahia e Alagoas. A árvore atinge portes que variam de 10 a 20 metros de altura. No período de agosto a fevereiro, ocorre a florada.
O processo cobre a árvore com flores brancas, de cor creme ou rosas, formadas por inflorescências de pétalas arredondadas em forma de capuz. Já a colheita dos frutos transcorre de janeiro a maio. Segundo o IBF, o jambo possui variedades de cores vermelha, rosa, branca e amarela.
A opção vermelha apresenta casca fina, formato robusto e sabor doce com leve acidez. A variedade branca exibe sabor mais suave e menor teor de açúcar. Knupp explica que o jambo se enquadra em uma categoria especial de alimentos devido ao seu uso restrito no cotidiano.
"A espécie é considerada uma plantas alimentícia não convencional. Se o consumo do fruto já não é corriqueiro, o das flores e folhas comestíveis é ainda mais ignorado. Elas podem enriquecer saladas, caipirinhas, sucos e até o arroz", elenca.
O especialista ressalta que a flor do jambeiro possui uma resistência incomum, podendo ser congelada sem perder a estrutura. "É uma das poucas flores do planeta que podem ser armazenadas em saquinhos ou potinhos no freezer mantendo um visual surpreendente para o momento de servir", afirma. Knupp destaca ainda as propriedades medicinais da planta.
"Com propriedades protetoras surpreendentes, a folha ajuda no controle e tratamento do diabetes mellitus graças à ação anti-hiperglicêmica. E há quem brinque que o uso na caipirinha é quase um brinde à saúde, devido ao seu potencial hepatoprotetor, ou seja, de regeneração das células do fígado." Uma pesquisa de doutorado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) conduzida por Ângela Giovana Batista avaliou os benefícios do jambo à saúde.
A cientista secou a casca e a polpa da fruta e misturou o ingrediente na ração de camundongos sob dietas com pouca e muita gordura. “Em testes anteriores detectamos compostos importantes para a saúde, como fibras alimentares, e compostos antioxidantes, como as antocianinas (pigmento vermelho, natural de algumas plantas) e taninos”, destaca Ângela. De acordo com a pesquisadora, o tratamento de dez semanas melhorou a capacidade dos animais de processar o açúcar no sangue, reduziu inflamações corporais e aumentou as defesas contra o envelhecimento celular.
Em um teste de memória em piscina com saída oculta, os roedores que comeram jambo nadaram direto para o local correto, enquanto os outros ficaram perdidos. “Os animais que consumiram as frutas mostraram assim melhor desempenho de aprendizado e memória”, reforça ela. Os exames comprovaram que o cérebro dos camundongos alimentados com a fruta aproveitou melhor a insulina na região que controla o aprendizado.
A pesquisadora explica que esse funcionamento correto protege os neurônios e evita o desgaste mental. “Além disso, a maior sensibilidade à insulina no hipocampo está ligada à prevenção de marcadores da doença de Alzheimer”, enfatiza.
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