Real recua 10% no mercado futuro de Chicago após apuração do segundo turno
Contrato futuro da moeda brasileira registrou desvalorização na bolsa americana após a vitória de Lula na eleição presidencial.

O contrato futuro do real negociado na Bolsa de Mercadorias de Chicago registrou queda de 10,09% na madrugada desta segunda-feira, 26 de outubro, após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial. A movimentação no mercado futuro da CME ocorreu em reação aos dados apurados da votação nacional.
Às 3h38, pelo horário de Brasília, o contrato da moeda brasileira com vencimento em novembro apontava taxa implícita do dólar em R$ 5,56. No mesmo período de negociação internacional, o contrato do real para dezembro anotou desvalorização de 9,79%. Com 99,78% das urnas apuradas, Lula atingiu 51,76% dos votos válidos, ante 48,24% recebidos por Flávio Bolsonaro.

Analistas do mercado financeiro declararam que o resultado das urnas divergiu das expectativas prévias dos investidores. O gestor de multimercados do ASA, Felipe Balassiano, afirmou que o setor não se posicionou para essa vitória e projetou um ajuste nas cotações de abertura. Ele declarou que, em hipóteses de vitória de Flávio Bolsonaro, os ativos teriam desempenho positivo conforme o tamanho da vantagem, enquanto o resultado real projeta volatilidade, pressão vendedora na bolsa, queda do real e elevação na curva de juros até a confirmação de propostas de responsabilidade fiscal.
O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, declarou prever oscilação no valor das moedas no curto prazo, mas projetou estabilização da cotação do dólar ao redor de R$ 5,40 no ano de 2027. O economista e consultor financeiro Leonardo Mendes, integrante da Manchester Investimentos, declarou que a conclusão do pleito eleitoral alterou de forma significativa a avaliação de risco atribuída pelos investidores ao mercado brasileiro.
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