Morgan Stanley aponta risco de dólar a R$ 6 sem ajuste fiscal
Banco avalia que câmbio pode atingir a marca de R$ 6 caso o governo não apresente medidas concretas de ajuste nas contas públicas.

O dólar poderá alcançar o patamar de R$ 6 se o governo não sinalizar ajustes nas contas públicas nas próximas semanas, conforme avaliação divulgada pelo Morgan Stanley nesta segunda-feira (26). A projeção foi publicada em relatório enviado a clientes após o resultado do segundo turno que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva para o quarto mandato presidencial.
De acordo com as estrategistas do banco, a ausência de medidas de controle fiscal pode fazer com que investidores incorporem riscos de dominância fiscal aos preços dos ativos. Esse fenômeno ocorre quando a inflação passa a responder mais à política fiscal do que à monetária, o que reduz a eficácia dos juros elevados e dificulta a estabilização de preços pelo Banco Central.

No cenário base projetado pela instituição, o câmbio deve oscilar entre R$ 5,60 e R$ 5,70, impulsionado pela incorporação de prêmios de risco fiscal e por fatores sazonais negativos para o real nos meses de novembro e dezembro, período marcado por saídas de recursos corporativos e pagamentos de dividendos.
As analistas destacam que a taxa de câmbio a R$ 6 representa uma terceira etapa de deterioração, dependendo diretamente da falta de compromissos oficiais com a consolidação fiscal. No entanto, o banco pondera que a materialização de um quadro completo de dominância fiscal possui barreiras elevadas e ocorreu poucas vezes nas últimas duas décadas.
O relatório aponta ainda que, caso o cenário mais adverso se confirme, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2029 poderiam alcançar 16,50%, enquanto os títulos prefixados do Tesouro Nacional com vencimento em 2037 atingiriam taxas de 18% ao ano.
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