Sábado, 17 de outubro de 2026

Estudo da USP aponta risco de retração em municípios com corte de auxílios

Levantamento do Made-USP indica que redução de benefícios sociais e previdenciários pode causar impacto severo na economia e na pobreza de cidades do interior.

Por Redação WebTV Brasil17/10/2026 às 15:022 min de leitura
Fonte: Poder360
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Estudo da USP aponta risco de retração em municípios com corte de auxílios
Imagem: Poder360

Um estudo divulgado nesta semana pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, aponta que a estagnação ou cortes em benefícios sociais e previdenciários podem provocar uma retração severa na atividade econômica de municípios do interior do país. A pesquisa analisou o peso de aposentadorias, do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada nas finanças locais.

Segundo o levantamento, cerca de 4.000 dos 5.569 municípios brasileiros estão fora das regiões metropolitanas, onde o peso dessas transferências públicas chega a ser o dobro em comparação aos grandes centros urbanos. No Ceará, por exemplo, os auxílios respondem por 22% da renda na região metropolitana, mas o índice sobe para 40% nas cidades do interior.

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A co-diretora do Made-USP, Luiza Nassif, afirmou que o valor recebido por essas famílias é utilizado quase integralmente para a compra de itens de primeira necessidade. Com isso, o dinheiro circula de forma imediata no comércio local, sustenta postos de trabalho e mantém a arrecadação das prefeituras ativa, conforme detalhou a instituição.

As projeções do estudo indicam que, sem ganhos reais nos benefícios, a renda agregada do interior sofreria uma retração de 6,8% a 10,8%. Os cenários mais críticos aparecem no interior do Rio Grande do Norte, do Amapá e do Piauí, com quedas estimadas de 17% a 18%. Estados como Amazonas, Sergipe e Pernambuco registrariam perdas próximas a 15%.

Além do impacto econômico, a pesquisa aponta que a ausência de reajustes acima da inflação empurraria aproximadamente 2,7 milhões de pessoas para a pobreza em áreas não metropolitanas, sendo 2,4 milhões para a extrema pobreza. As maiores altas absolutas ocorreriam na Bahia, em São Paulo e em Minas Gerais, segundo os dados divulgados pela universidade.

Texto da redação a partir de reportagem de Poder360
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