Como Lula reverteu desvantagem e venceu Flávio no segundo turno
Levantamentos e modelos estatísticos falharam em prever a virada de Lula sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reverteu uma desvantagem de 2,2 milhões de votos no primeiro turno para derrotar Flávio Bolsonaro por uma diferença de 4,4 milhões na votação decisiva. O petista somou 10,4 milhões de votos adicionais entre os dois turnos e ampliou a participação nos votos válidos em todas as 27 unidades da Federação, contrariando as projeções divulgadas durante a campanha.
Pesquisas e modelos estatísticos apontavam dificuldades para a reeleição. Em 8 de outubro, pesquisadores da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo divulgaram um modelo que atribuía 19% de probabilidade de vitória a Lula, com base em um levantamento do Datafolha que mostrava Flávio com 52% dos votos válidos contra 48% do presidente. A instituição também destacou o obstáculo histórico de que nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar havia conseguido reverter o resultado desde 1989.

Na véspera da votação, a pesquisa BTG/Nexus registrou 50,5% dos votos válidos para Flávio e 49,5% para Lula. O levantamento também utilizou um modelo de eleitor provável, no qual a vantagem do senador subia para 52,4% a 47,6%, estimando uma taxa de abstenção de 21%. A votação efetiva contrariou a premissa, com a abstenção caindo para cerca de 19,2% e a vitória de Lula com 51,79% dos votos válidos.
Um estudo elaborado pelos economistas Tiago Berriel e Mateus Della, do BTG Pactual, examinou 27 cenários de transferência de votos e comparecimento, e em nenhum deles Lula ultrapassava o adversário. No cenário central, Flávio venceria por aproximadamente 3,17 milhões de votos. Os cálculos indicavam que uma virada baseada exclusivamente na abstenção exigiria cerca de 12,6 milhões de comparecimentos adicionais para Lula, o que não ocorreu.
A redistribuição dos votos das candidaturas eliminadas representava outro desafio, visto que nomes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury declararam apoio a Flávio no segundo turno. No entanto, os números finais mostram que Lula passou de 53,8 milhões para 64,2 milhões de votos, um crescimento de 10,3 milhões, enquanto Flávio passou de 56,1 milhões para 59,8 milhões, acréscimo de 3,7 milhões.
Fique por dentro das principais notícias no WhatsApp
Receba em primeira mão alertas de política, economia e TV ao vivo.

Leia Também

Lula conquista capitais e amplia margem nacional apesar de perda de cidades
Dados do TSE mostram que o presidente reverteu resultados no Rio e em Macapá, mas cedeu 280 municípios menores ao adversário.

Pablo Marçal questiona redução da abstenção no segundo turno das eleições
Empresário contesta dados de comparecimento às urnas divulgados pelo TSE e sugere análise dos votos computados após o horário original de encerramento.

TSE substitui 1.551 urnas eletrônicas no segundo turno
Tribunal Superior Eleitoral informou a troca de 1.551 urnas eletrônicas durante o segundo turno da eleição realizado neste domingo.

Alcolumbre e Motta defendem conciliação após reeleição de Lula
Presidentes da Câmara e do Senado ligaram para Lula para parabenizar pela vitória e pediram foco na pacificação do país e diálogo com a oposição.