Bradesco eleva juros mínimos do financiamento imobiliário para 15% ao ano
Banco reajusta taxas do crédito habitacional e prestação de imóvel de 500 mil reais pode subir mais de 20%.

O Bradesco elevou a taxa mínima dos juros do financiamento imobiliário tradicional de 11,69% para 15% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR), para a maioria dos seus clientes em todo o país. A mudança foi comunicada a parceiros do setor imobiliário e coloca o banco com o custo de crédito habitacional mais alto entre os principais concorrentes no Brasil. Para a categoria Private, voltada a clientes com patrimônio superior a 10 milhões de reais, a taxa anual subiu de 11,45% para 13,6% acrescida da TR.
O reajuste de 3,31 pontos percentuais gera reflexos diretos no valor das prestações cobradas dos mutuários. Em uma simulação de financiamento de 500 mil reais por 30 anos pelo Sistema de Amortização Constante, a primeira parcela passa de aproximadamente 6.020 reais para 7.246 reais com a nova alíquota. O acréscimo supera 20% no pagamento inicial, sem considerar seguros, tarifas e o ajuste mensal da TR.

Dados da Associação Brasileira de Incorporadoras indicam que cada ponto percentual adicionado aos juros retira, em média, 160 mil famílias do mercado de crédito para moradia. Especialistas do setor atribuem a alta das taxas ao encarecimento do custo de captação de recursos pelas instituições financeiras, influenciado pela elevação dos juros futuros e por dúvidas no campo fiscal do governo federal. A migração de recursos da caderneta de poupança para aplicações mais rentáveis de renda fixa também reduziu o montante disponível para empréstimos imobiliários.
Diante do novo teto fixado pelo Bradesco, outras instituições financeiras mantêm patamares inferiores a 15% ao ano. A Caixa Econômica Federal opera com taxa mínima de 10,49%, enquanto o Banco do Brasil aplica 10,29% e o Itaú cobra 10,49% ao ano. O Santander pratica o índice de 10,99% mais TR. Representantes de mercado estimam que outros bancos privados estudam correções de cerca de 1 ponto percentual nas modalidades imobiliárias.
O impacto no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida permanece limitado em virtude de regras e subsídios próprios aplicados às faixas de menor renda. Analistas preveem que a demanda geral por moradia deve desacelerar e que compradores tendem a adiar decisões de aquisição, forçando incorporadoras a repensar lançamentos e estratégias de venda nos próximos meses.
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