Azul projeta recuperação mais lenta devido a custos com combustível
Empresa aérea brasileira mantém plano de crescimento cauteloso enquanto enfrenta pressão nos preços do querosene de aviação.

A Azul estima que sua recuperação operacional ocorrerá em um ritmo inferior ao projetado anteriormente. De acordo com o diretor financeiro da companhia, Antonio Carlos Garcia, a persistência dos altos preços do combustível de aviação impacta diretamente as margens de lucro da empresa. O executivo afirmou que o cronograma de retomada pode sofrer um atraso de um ano ou mais caso os valores do combustível permaneçam elevados. A declaração foi feita na segunda-feira (19), durante um evento da Associação de Transporte Aéreo da América Latina e do Caribe.
A companhia aérea encerrou o segundo trimestre com uma redução de mais de 10% na capacidade em comparação ao mesmo período do ano anterior. A previsão atual é que a empresa termine o ano de 2026 com uma capacidade cerca de 5% menor que a registrada em 2025. Segundo Garcia, a empresa tem conseguido repassar entre 60% e 65% das variações nos custos de combustível para as tarifas cobradas dos passageiros.

Após concluir o processo de reestruturação financeira sob o Chapter 11 em fevereiro deste ano, a Azul busca estabilizar seu fluxo de caixa livre operacional. O diretor financeiro pontuou que a geração de caixa ainda é afetada por compromissos financeiros vinculados à reestruturação da dívida, que totalizava R$ 21,4 bilhões em agosto. Para diversificar as receitas, a empresa tem intensificado a atuação em segmentos como logística de carga, manutenção de aeronaves e seu programa de fidelidade.
Sobre a possibilidade de fusões ou aquisições no setor aéreo latino-americano, Garcia informou que o foco da gestão está na reestruturação interna do negócio. A empresa iniciou o retorno de algumas aeronaves que estavam paradas e o restabelecimento de frequências de voo, mas o executivo enfatizou que essas movimentações não representam um plano de expansão agressiva no curto prazo.
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