Economistas revisitam o passado para avaliar impactos da inteligência artificial
Especialistas analisam crises históricas e transformações tecnológicas para compreender os efeitos da inteligência artificial no trabalho.

Economistas debatem os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho e recorrem a períodos históricos em busca de paralelos. Em dezembro de 1931, especialistas reunidos em Washington discutiram a ameaça da tecnologia aos trabalhadores americanos durante a Grande Depressão. Naquela época, operadoras de telefonia perderam postos com a introdução da discagem automática, enquanto músicos de cinema e condutores de carroças enfrentaram substituições semelhantes. Os debates daquele período giravam em torno da velocidade das mudanças e da capacidade da economia de absorver os trabalhadores deslocados.
A história mostra que a reação do mercado de trabalho depende diretamente da saúde econômica geral. Durante a Revolução Industrial na Inglaterra, proprietários rurais adotaram máquinas de debulha para compensar a escassez de mão de obra nas Guerras Napoleônicas. Quando os soldados retornaram, encontraram os postos ocupados pelas máquinas, o que gerou revoltas rurais na década de 1830. Por outro lado, em momentos de expansão econômica, como o pós-Segunda Guerra Mundial, a introdução de novas tecnologias encontrou absorção mais rápida devido à alta demanda por automóveis e eletrodomésticos.

A velocidade da transição tecnológica também determina a gravidade do impacto sobre os profissionais. A automação telefônica nas décadas de 1920 e 1930 eliminou postos da noite para o dia, deixando trabalhadoras sem alternativas rápidas de recolocação e afetando os salários a longo prazo. Em contraste, a substituição de carroças por caminhões a gasolina ocorreu de forma gradual ao longo de décadas, permitindo que os profissionais migrassem para outras funções de maneira planejada e com menor impacto financeiro.
A inteligência artificial afeta atualmente ocupações tradicionalmente protegidas da automação, como o desenvolvimento de software e serviços jurídicos. Modelos econômicos atuais apontam desde ganhos expressivos de produtividade até transformações sem precedentes na economia global. Historicamente, inovações tecnológicas também transformaram a natureza do trabalho, a exemplo da fabricação de calçados na Inglaterra do século XIX, que preservou o volume de empregos, mas alterou profundamente a rotina dos artesãos.
Especialistas alertam que o surgimento de novas ocupações ao longo do tempo não elimina o sofrimento associado às transições rápidas. Economistas apontam que cerca de sessenta por cento dos empregos nos Estados Unidos em 2018 pertenciam a funções inexistentes em 1940. A incerteza atual reside na capacidade de o mercado de trabalho gerar novas ocupações com rapidez suficiente para absorver os profissionais afetados pela automação global dos serviços de escritório.
Fique por dentro das principais notícias no WhatsApp
Receba em primeira mão alertas de política, economia e TV ao vivo.

Leia Também

Mega-Sena acumula e prêmio estimado sobe para R$ 300 milhões
Nenhum apostador acertou as seis dezenas do concurso 3.074 da Mega-Sena realizado em São Paulo.

Azul obtém financiamento de até R$ 2 bilhões para querosene
A Azul firmou uma operação de crédito de até R$ 2 bilhões com garantia da União para custear combustível de aviação em voos domésticos.

Adere projeta dobrar faturamento para R$ 1 bilhão até 2030
Maior fabricante brasileira de fitas adesivas, a Adere investe em expansão industrial e novos mercados para atingir a meta de receita até o fim da década.

Preço do petróleo surpreende a Petrobras e estatal avalia medidas
A presidente da Petrobras afirmou que a cotação atual do barril superou as previsões do mercado e exige discussão sobre os próximos passos.