Dados do TSE mostram divergência entre perfil de eleitores e de candidatos no Paraná
Levantamento do Tribunal Superior Eleitoral indica que candidaturas concentram maior proporção de homens, pessoas brancas, casadas e com ensino superior.

Os eleitores do Paraná vão às urnas neste domingo para escolher seus representantes com uma divergência entre o perfil de quem vota e o de quem concorre. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) detalham que, embora a maior parte dos cidadãos aptos a votar seja composta por mulheres e apresente variados níveis de escolaridade, as candidaturas registradas no estado são de maioria masculina e de pessoas com ensino superior completo.
As mulheres representam 53% do eleitorado paranaense, mas equivalem a 34% das 1.090 candidaturas registradas para o pleito, deixando os homens com 66% das vagas disputadas. A diferença também é expressiva na instrução formal, com 63,6% dos candidatos possuindo ensino superior completo. Em contrapartida, pouco mais de 51% dos eleitores se situam na faixa entre o ensino médio completo e o superior completo. O levantamento aponta que 73,71% dos candidatos se declaram brancos, frente a 60,54% do eleitorado, e 53,43% são casados, enquanto 51% dos votantes são solteiros.
O professor Fernando Knoerr, da UniCuritiba, aponta que essa distância decorre de fatores históricos e das regras do sistema político nacional. Ele explica que as exigências de idade mínima para os cargos legislativos e executivos, por exemplo, elevam a faixa etária média dos candidatos. Quanto à baixa representação feminina, o especialista menciona raízes históricas e pondera que a atual lei de cotas de 30% pode gerar distorções. Segundo ele, desistências de candidatas mulheres frequentemente levantam suspeitas de fraude, diferentemente do que ocorre com candidaturas masculinas.
Entre as ocupações mais declaradas pelos concorrentes no Paraná, destacam-se empresários, com 159 registros, e advogados, com 115. Knoerr avalia que a presença de profissionais dessas áreas pode favorecer o andamento técnico de pautas complexas na administração pública. O professor argumenta que a falta de correspondência exata de gênero ou escolaridade não impede a defesa dos interesses da população, caracterizando o que chama de representação substantiva, focada na atuação prática dos eleitos.
Para que as demandas da sociedade sejam atendidas, o especialista recomenda que os cidadãos pesquisem as propostas e o histórico de cada concorrente antes da votação. Ele orienta que a escolha do voto deve ser baseada em informações concretas e no acompanhamento do trabalho dos parlamentares, evitando decisões fundamentadas apenas em hábitos anteriores ou relações pessoais.
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